Poema para namorada, o que vai contra o que me propus quando escrevi a minha descrição pessoal nesse blog. Coisas da vida.
Se a vida é mesmo uma senda
O amor é essa tenda
em que se mora.
Se a vida é a pagã peleja
O amor é a igreja
em que se ora.
Se a vida é chorar um arroio
O amor é olho
de onde se chora.
Se a vida é uma fruta no chão
O amor é o botão
Antes da flora.
Se a vida é, enfim, ir-se embora,
Vagar pelo mundo sem centro,
O amor é, pois, todo o dentro,
Pra que possa haver um fora.
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quinta-feira, 12 de agosto de 2010
sábado, 24 de julho de 2010
Perto do Umbigo Dela.
Perto do umbigo dela eu deslizando nela assim o meu nariz
Ela achava boa aquela sensação da gente viver por um triz
Com a minha lingua ali eu lia e decifrava o seu idioma
Compreendia o que ela não dizia, assim um bárbaro entrando em roma
Tanto gesto e gosto junto e não faltava assunto pra gente calar
Que era assim feito defunto morto de amar muito gente a se estar
Todas as fontes de luz a gente é que conduz num lance de bravata
Contra Deus e os santos seus, alados e ateus de terno e de gravata
Meu nariz já no teu peito que tem cor e jeito de um morro de terra
Haja um coração que habite-o e eu vou erguer um sítio no pé dessa serra
Todas as fontes de cor conduzem o amor na direção do chão
Pra explodir todos os tons até haver só sons, lençóis de escuridão
Todas as fontes de cor conduzem o amor do chão às direções
Pra explodir todos os tons até haver só sons, sem sóis, nascentes de canções.
Ela achava boa aquela sensação da gente viver por um triz
Com a minha lingua ali eu lia e decifrava o seu idioma
Compreendia o que ela não dizia, assim um bárbaro entrando em roma
Tanto gesto e gosto junto e não faltava assunto pra gente calar
Que era assim feito defunto morto de amar muito gente a se estar
Todas as fontes de luz a gente é que conduz num lance de bravata
Contra Deus e os santos seus, alados e ateus de terno e de gravata
Meu nariz já no teu peito que tem cor e jeito de um morro de terra
Haja um coração que habite-o e eu vou erguer um sítio no pé dessa serra
Todas as fontes de cor conduzem o amor na direção do chão
Pra explodir todos os tons até haver só sons, lençóis de escuridão
Todas as fontes de cor conduzem o amor do chão às direções
Pra explodir todos os tons até haver só sons, sem sóis, nascentes de canções.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Soneto a Vinicius de Moraes
Devemos todos nós algo a Vinícius.
Que foi, de nossos flertes e paqueras,
Por vezes até incógnito, deveras,
Fornecedor de versos e artifícios.
E ele muito deve ao deus Eros
E aos líquidos transpirados por baco
Pra reanimar o já tão gasto e fraco
Soneto, de aspectos tão austeros.
Sereno e jovial tal qual um grego,
Vinícius, o invocador de Orfeu,
Fez sua polis no bar Vilarino.
Poeta musical, como se cego,
Vinícius saciou, quando escreveu,
Dos versos o desejo dançarino.
Que foi, de nossos flertes e paqueras,
Por vezes até incógnito, deveras,
Fornecedor de versos e artifícios.
E ele muito deve ao deus Eros
E aos líquidos transpirados por baco
Pra reanimar o já tão gasto e fraco
Soneto, de aspectos tão austeros.
Sereno e jovial tal qual um grego,
Vinícius, o invocador de Orfeu,
Fez sua polis no bar Vilarino.
Poeta musical, como se cego,
Vinícius saciou, quando escreveu,
Dos versos o desejo dançarino.
sábado, 17 de abril de 2010
Soneto Do Amor Entre Mulheres

Permita-se este canto impertinente
De um poeta em estado de desvario,
Deslumbrado ao ver este duplo cio
Que no amor só entre moças há presente.
É este amor íntimo que elogio
Eu, que, sem conhecê-lo, julgo urgente
O pouso da mão impúbere e quente:
Onde é suposto um falo acha um vazio.
Tortura-me a completa ignorância
Do gosto que há num beijo feminino
Que eu sempre iria destruir na ânsia
De ali incluir minha barba, libertino.
Razão de eterna intriga é a substância
Do amor entre mulheres, pra um menino.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
A gente precisa encontrar a gente
Às vezes filosofias
Às vezes poeminhas
Nascem meio por acaso.
O título desse poema
É de um gringo em copacabana
Tentando aprender a dizer
"A gente precisa se ver".
Às vezes poeminhas
Nascem meio por acaso.
O título desse poema
É de um gringo em copacabana
Tentando aprender a dizer
"A gente precisa se ver".
quarta-feira, 31 de março de 2010
terça-feira, 30 de março de 2010
Os Maus Poetas
Juntem-se a eles, meus ditos malditos,
Sumam no meio desses maus-poetas
Que riem na rua em seus rudes ritos
Zombando em êxtase dos estetas.
Tornem-se discursos subjetivos,
Morram de excessos e falta de voz,
Nascam de novo, meus versos, sem crivo,
Como o rei dionísio de todos nós.
Entrem nas veias desses maus poetas,
E de seus poemas tornem-se ecos.
Semeiem sintáxes analfabetas.
Esqueçam a lâmina e os termos secos
Da minha triste linguagem dileta
E vão dançar samba pelos botecos.
Sumam no meio desses maus-poetas
Que riem na rua em seus rudes ritos
Zombando em êxtase dos estetas.
Tornem-se discursos subjetivos,
Morram de excessos e falta de voz,
Nascam de novo, meus versos, sem crivo,
Como o rei dionísio de todos nós.
Entrem nas veias desses maus poetas,
E de seus poemas tornem-se ecos.
Semeiem sintáxes analfabetas.
Esqueçam a lâmina e os termos secos
Da minha triste linguagem dileta
E vão dançar samba pelos botecos.
domingo, 28 de março de 2010
aos dentes.

O número trinta e três
Sai dos lábios do paciente
Quando o doutor quer saber
Se ele está mesmo doente.
Mas dentro de sua boca
Só moram trinta e dois dentes.
Desses trinta e dois só quatro,
Os quatro afiados caninos,
São entes de fato mordentes.
Os outros são dentes pesados
Dentes largos e dolentes.
Por isso é que quatro meninos
Insolentes e franzinos
Chamaram-se a sí de "os.dentes"
Pra rasgar com suas presas
As almas presas na gente
Sangrar em mordida rente
A parte da gente que sente
Que o som é um ser vivente.
(E mais o som de um dente
Quando bate noutro dente).
Por isso eu, poeta mordido
(Trago a marca ainda no ouvido)
Pelo som da banda "os.dentes",
Acabei por decidido
A escrever este repente.
Aos dentes, o meu presente.
quinta-feira, 25 de março de 2010
Londrinense
Uma fumaça fez ele chorar na gravata
Não o fog londrino
(Noite úmida e invaginada
Em cujas reentrâncias tudo termina em reticências)
Não o fog londrino industrial
É que em Londrina não há fog
Há o ar respirável das ruas planejadas
Os vãos largos
Da cidade otimista
Conglomerados de nada
Pontos de exclamação.
A fumaça que o faz chorar é o refogado da empregada.
Cheiro melhor do mundo,
Característico de sua mãe italiana.
domingo, 21 de março de 2010
Paraty
Ânima unânime e pusâmine
Da nossa doce herânça ipanemense.
Tua praia não tem dunas nem montanhas
Então também é baixada e também é fluminense.
A cabeça adormece mas o corpo ainda pela
E sai, de noite, pra assistir um filme de favela.
Ói ela, ói ela, ói ela! Esqueça!
O Tóla tá lá! (Lata d'água na cabeça)
A câmera, a câmara, o senador camará
Alvíssaras ao alvo, o alvejante alvará
A chique tropa de choque chacoalha e chora na hora do chá
O lado de la cala do lado de cá do lado de lado de lá
Eu prefiro cantar para ti
Eu prefiro cantar Paraty
Paraty é mais perto daqui do que bangu
É mais perto do que Nova Iguaçu
É mais perto que a américa do sul
É mais perto que ogum e que exu
É mais perto de sí do que de tu
Paraty é mais perto
Que esse peito aberto e nu.
08/10/2009
logo depois de asistir o bizarro filme "dancing with the devil", um olhar estrangeiro sobre a questão do narcotráfico no rio.
Da nossa doce herânça ipanemense.
Tua praia não tem dunas nem montanhas
Então também é baixada e também é fluminense.
A cabeça adormece mas o corpo ainda pela
E sai, de noite, pra assistir um filme de favela.
Ói ela, ói ela, ói ela! Esqueça!
O Tóla tá lá! (Lata d'água na cabeça)
A câmera, a câmara, o senador camará
Alvíssaras ao alvo, o alvejante alvará
A chique tropa de choque chacoalha e chora na hora do chá
O lado de la cala do lado de cá do lado de lado de lá
Eu prefiro cantar para ti
Eu prefiro cantar Paraty
Paraty é mais perto daqui do que bangu
É mais perto do que Nova Iguaçu
É mais perto que a américa do sul
É mais perto que ogum e que exu
É mais perto de sí do que de tu
Paraty é mais perto
Que esse peito aberto e nu.
08/10/2009
logo depois de asistir o bizarro filme "dancing with the devil", um olhar estrangeiro sobre a questão do narcotráfico no rio.
terça-feira, 16 de março de 2010
No Estômago da Noite
Ouvi um rumor na escada.
Mas se aqui não tem escada...
Que porão é esse
Que me acaba de nascer?
Que é do cimento?
Da crosta, do manto, do núcleo...
Ouvi um rumor na escada.
Será, quem sabe,
Um rumor que vêm de um sótão
-Também inédito-
Que tomou o lugar do céu?
Será Deus fazendo algazarra?
Será...
Rumor na escada!
Coisas existenciais.
Existências.
Subjetivismo de poeta lírico desdobrando-se em degraus feito certos livros infantis...
E, ainda mais,
Degraus que rangem,
Que polifônam,
Que polifornicam,
Tinta mais preta e fresca.
Signo do desconhecido
Nessa vida térrea.
Pretensamente térrea.
Rumornascada.
Até onde vai
O descaso dos governantes
Com a malha metroviária?
E com os trajetos das aeronaves?
Nhec.
Serial Killer?
Ancestral que retorna?
Gato emparedado?
O próprio -salve!- Poe?
Nada!
Nada!
Nada!
Peça
Pregada...
Ouviste um humour na escada.
Mas se aqui não tem escada...
Que porão é esse
Que me acaba de nascer?
Que é do cimento?
Da crosta, do manto, do núcleo...
Ouvi um rumor na escada.
Será, quem sabe,
Um rumor que vêm de um sótão
-Também inédito-
Que tomou o lugar do céu?
Será Deus fazendo algazarra?
Será...
Rumor na escada!
Coisas existenciais.
Existências.
Subjetivismo de poeta lírico desdobrando-se em degraus feito certos livros infantis...
E, ainda mais,
Degraus que rangem,
Que polifônam,
Que polifornicam,
Tinta mais preta e fresca.
Signo do desconhecido
Nessa vida térrea.
Pretensamente térrea.
Rumornascada.
Até onde vai
O descaso dos governantes
Com a malha metroviária?
E com os trajetos das aeronaves?
Nhec.
Serial Killer?
Ancestral que retorna?
Gato emparedado?
O próprio -salve!- Poe?
Nada!
Nada!
Nada!
Peça
Pregada...
Ouviste um humour na escada.
terça-feira, 9 de março de 2010
LONGE II
Poema encontrado na caixa "romantismos escondidos no sótão. Cuidado, tóxico"
"Não temos, nós dois, afinal
Nenhum sinal de vida
Por que aí não pega sinal
E sem tí não vivo, querida!"
"Não temos, nós dois, afinal
Nenhum sinal de vida
Por que aí não pega sinal
E sem tí não vivo, querida!"
domingo, 7 de março de 2010
Balada do cadaver
I
Está posto o cadáver
Numa simples cova rasa,
Mais feliz e mais saudável
Que em sua velha casa.
A essa sua casa antiga
Dava-se o nome "alma",
Teto só de angústia e briga
Contrastante com a calma
De sua nova condição:
Serníssima e feliz
De enterrado sem caixão
Corpo só, sem ter verniz.
Todo em comum com a terra
Só certezas, seiva e paz
Seu haver em sí se encerra
Depois disso é nada mais.
II
Enterrado em cova rasa
Vai virando a própria cova
Abandonando a velha casa,
Para tornar-se a nova.
Existe como matéria
Que é divina: não tem fim.
A alma, a casa velha
Não é tão eterna assim
Pois que agora ele é tudo
Só matéria imolesta
Ele é o osso que é escudo
E é os vermes em festa
A alma, este lar inviso,
O diabo que a carregue!
O corpo é que é o paraíso,
E a sí mesmo está entregue.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
ROLANDO

Por que se alegram todas as partes?
É que tá rolando um Barthes...
A maravilha mais pura
É o estudo da estrutura
Do grande Roland Barthes.
Rolando em papos de bares
E em cada uma das artes.
Viva, Rolando Barthes!
Rolando assim pelos ares,
Rolando e virando bola
O artista, o leitor e seus pares
Aglutinados com cola.
Com a força de muitos mares
Rolando pela escola
Dos ideais torpes e tortos
Dessa elite despótica.
Acordando os semi-mortos
Com a clareza da sua ótica.
Na câmara clara, absorto
No estudo da semióica.
Sendo, ao vivo e a cores
Uma Aula que o mundo herda.
Melhor que seus detratores,
Melhor que toda essa merda,
Defendendo afetos e amores
À esquerda da esquerda
Feito um prédio de Niemeyer
Sua beleza não se trai:
Sobressai-se em alvura
Pois mais que mero ornamento
Ela é feita de cimento.
Ela é pura estrutura.
É que tá rolando um Barthes...
A maravilha mais pura
É o estudo da estrutura
Do grande Roland Barthes.
Rolando em papos de bares
E em cada uma das artes.
Viva, Rolando Barthes!
Rolando assim pelos ares,
Rolando e virando bola
O artista, o leitor e seus pares
Aglutinados com cola.
Com a força de muitos mares
Rolando pela escola
Dos ideais torpes e tortos
Dessa elite despótica.
Acordando os semi-mortos
Com a clareza da sua ótica.
Na câmara clara, absorto
No estudo da semióica.
Sendo, ao vivo e a cores
Uma Aula que o mundo herda.
Melhor que seus detratores,
Melhor que toda essa merda,
Defendendo afetos e amores
À esquerda da esquerda
Feito um prédio de Niemeyer
Sua beleza não se trai:
Sobressai-se em alvura
Pois mais que mero ornamento
Ela é feita de cimento.
Ela é pura estrutura.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
TRANSPARENTE- Quarta-feira de cinzas
De homens e mulheres, as vítimas da sua boca
Ela não guardou mais que um vulto indistinguível.
Deu-se inteira a Baco e o velhaco deu-lhe em troca
No fio de sua vida um centímetro invisível.
Se houve prazer ou se foi tédio e violência
O corpo não diz, não guarda tapas nem carícias.
Mais do que brancura, sua memória é transparência:
Baco, exausto, foi-se, sem pedir ou dar notícias.
Ela encara opaca um opaco azulejo
Enquanto se cobre com a água do chuveiro.
Força sua memória, que lhe é indiferente.
Por algum motivo lhe sumiu todo desejo,
Que ou foi satisfeito ou desgastou-se por inteiro.
Ela sai do banho, coberta de transparente.
Ela não guardou mais que um vulto indistinguível.
Deu-se inteira a Baco e o velhaco deu-lhe em troca
No fio de sua vida um centímetro invisível.
Se houve prazer ou se foi tédio e violência
O corpo não diz, não guarda tapas nem carícias.
Mais do que brancura, sua memória é transparência:
Baco, exausto, foi-se, sem pedir ou dar notícias.
Ela encara opaca um opaco azulejo
Enquanto se cobre com a água do chuveiro.
Força sua memória, que lhe é indiferente.
Por algum motivo lhe sumiu todo desejo,
Que ou foi satisfeito ou desgastou-se por inteiro.
Ela sai do banho, coberta de transparente.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
DOURADO - Poema de um mal que acometeu o poeta.
Há uma goma em minha boca, certa pasta
De cor talvez que branca, um branco espesso.
Talvez uma borracha atroz que nunca gasta,
Sempre intermedária entre o leite e o gesso.
A cada termo dito eu sinto que ela engrossa
A mandíbula se move com certa dificuldade
Receio que dentro em pouco tempo eu já não possa
Dizer as coisas compreensíveis que entendo por verdade.
Fica aqui esse registro, já um pouco atravancado,
Que há desejo de ser límpido por trás desse chiclete.
Que não é proposital esse discurso tão melado
Mas é o que me permite esse meu mal que não derrete.
Há desejo de ser límpido, translúcido e dourado.
Há desejo de ser lente por onde tudo se veja
Mas há em mim um monstro espesso e esbranquiçado
Como assim uma espuma há por cima da cerveja.
De cor talvez que branca, um branco espesso.
Talvez uma borracha atroz que nunca gasta,
Sempre intermedária entre o leite e o gesso.
A cada termo dito eu sinto que ela engrossa
A mandíbula se move com certa dificuldade
Receio que dentro em pouco tempo eu já não possa
Dizer as coisas compreensíveis que entendo por verdade.
Fica aqui esse registro, já um pouco atravancado,
Que há desejo de ser límpido por trás desse chiclete.
Que não é proposital esse discurso tão melado
Mas é o que me permite esse meu mal que não derrete.
Há desejo de ser límpido, translúcido e dourado.
Há desejo de ser lente por onde tudo se veja
Mas há em mim um monstro espesso e esbranquiçado
Como assim uma espuma há por cima da cerveja.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
AMARELO - O Sol
Comparado ao ser que é vivido
O vívido é sempre mais belo.
Nosso sol, perfeito e elindo,
Só sintetiza hidrogênio e helio.
Poderia ter outras substâncias
Como a terra, que é filha sua
Que, tola e cheia de ânsias,
Possui Noventa e duas.
Poderia viver experiências
Sintetizando lítios,
Possuindo tons e essências,
Multi-colorido e vítreo.
Mas sabe que nada é tão lindo
Quanto seu absoluto amarelo
E sabe, sobre ser vivido
Que ser vívido é sempre mais belo.
O vívido é sempre mais belo.
Nosso sol, perfeito e elindo,
Só sintetiza hidrogênio e helio.
Poderia ter outras substâncias
Como a terra, que é filha sua
Que, tola e cheia de ânsias,
Possui Noventa e duas.
Poderia viver experiências
Sintetizando lítios,
Possuindo tons e essências,
Multi-colorido e vítreo.
Mas sabe que nada é tão lindo
Quanto seu absoluto amarelo
E sabe, sobre ser vivido
Que ser vívido é sempre mais belo.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
PRETO- noite ipanemense
Um por do sol turbulento
Povoado de meios-tons
Nenhum deles vazio ou isento
De certas fáceis emoções.
Na praia uma turba lenta
Esvazia camarotes e frisas.
É que seu olho não aguenta
O preto fundo e sem divisas
Que se advinha agora
No sono dos rubros-roxos.
Fim dos aplausos, é hora
Do adeus dos olhares coxos.
Só poucos permanecem
Diante do preto pré-preto
Do céu que se anoitece.
Um tom sem canduras, direto.
Só os olhares mais sãos
Que desprezam emoções fáceis
Encaram, serenos, os vãos
Do preto sem risos e faces.
Um preto que não veludo,
Um preto que a tudo isola,
Um preto que é preto tudo:
Um preto de coca-cola.
Povoado de meios-tons
Nenhum deles vazio ou isento
De certas fáceis emoções.
Na praia uma turba lenta
Esvazia camarotes e frisas.
É que seu olho não aguenta
O preto fundo e sem divisas
Que se advinha agora
No sono dos rubros-roxos.
Fim dos aplausos, é hora
Do adeus dos olhares coxos.
Só poucos permanecem
Diante do preto pré-preto
Do céu que se anoitece.
Um tom sem canduras, direto.
Só os olhares mais sãos
Que desprezam emoções fáceis
Encaram, serenos, os vãos
Do preto sem risos e faces.
Um preto que não veludo,
Um preto que a tudo isola,
Um preto que é preto tudo:
Um preto de coca-cola.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
BRANCO - poema de dois.
Uma tela clara, tão clara,
Que a todas as cores desbota.
Que os meios-tons separa
E só os brancos ampara.
Uma tela branca, tão branca,
Que, ao contrário de realçá-las,
De todas as cores arranca
O dom de ser cor não branca.
Essa tela e nós dois
Num sereno lugar sem nome
Que se tivesse seria "depois".
Olhando a paisagem de arroz.
E é a essa alvura completa
Que nós chamaremos "passado"
Nada passou, a vida é uma reta
Sem drama, sem dores, sem meta.
E saudaremos o haver sumido:
Paroxismo do desbotado,
Vivemos sem ter vivido,
Cada qual absolvido.
Cada qual higienizado
De tudo que é tom de terra.
O encontro cauterizado,
O olhar oxigenado.
E então concordadermos:
"Nada houve", "Nada ficou",
E no branco que escrevemos,
O não escrito é que leremos:
Uma tela branca, tão branca
Que ceifa sem dor cada dor
E, sendo absolutamente franca,
Todas as palavras estanca.
Nós dois em silêncio.
Que a todas as cores desbota.
Que os meios-tons separa
E só os brancos ampara.
Uma tela branca, tão branca,
Que, ao contrário de realçá-las,
De todas as cores arranca
O dom de ser cor não branca.
Essa tela e nós dois
Num sereno lugar sem nome
Que se tivesse seria "depois".
Olhando a paisagem de arroz.
E é a essa alvura completa
Que nós chamaremos "passado"
Nada passou, a vida é uma reta
Sem drama, sem dores, sem meta.
E saudaremos o haver sumido:
Paroxismo do desbotado,
Vivemos sem ter vivido,
Cada qual absolvido.
Cada qual higienizado
De tudo que é tom de terra.
O encontro cauterizado,
O olhar oxigenado.
E então concordadermos:
"Nada houve", "Nada ficou",
E no branco que escrevemos,
O não escrito é que leremos:
Uma tela branca, tão branca
Que ceifa sem dor cada dor
E, sendo absolutamente franca,
Todas as palavras estanca.
Nós dois em silêncio.
domingo, 24 de janeiro de 2010
DA PRAÇA
Como após um banquete fica a taça,
Ela está sem mais nada, só vazia.
Só cimento ardendo no meio dia,
Ela, a quem demos o nome de praça.
Estranha de sí mesma quando ria
Ainda ontem na noite obesa e baça,
Quando em meio aos homens e a fumaça
Se esquecia que o dia a silencia.
A praça agora é coisa de concreto,
Não é praça, é o mais puro chão reto,
Desafiando o sol quente do verão.
Canta a sí pelo silêncio do coreto,
E destrói meus lirismos de soneto
Que evaporam quando caem no seu chão.
Ela está sem mais nada, só vazia.
Só cimento ardendo no meio dia,
Ela, a quem demos o nome de praça.
Estranha de sí mesma quando ria
Ainda ontem na noite obesa e baça,
Quando em meio aos homens e a fumaça
Se esquecia que o dia a silencia.
A praça agora é coisa de concreto,
Não é praça, é o mais puro chão reto,
Desafiando o sol quente do verão.
Canta a sí pelo silêncio do coreto,
E destrói meus lirismos de soneto
Que evaporam quando caem no seu chão.
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