Mostrando postagens com marcador sonetos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sonetos. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Soneto a Vinicius de Moraes

Devemos todos nós algo a Vinícius.
Que foi, de nossos flertes e paqueras,
Por vezes até incógnito, deveras,
Fornecedor de versos e artifícios.

E ele muito deve ao deus Eros
E aos líquidos transpirados por baco
Pra reanimar o já tão gasto e fraco
Soneto, de aspectos tão austeros.

Sereno e jovial tal qual um grego,
Vinícius, o invocador de Orfeu,
Fez sua polis no bar Vilarino.

Poeta musical, como se cego,
Vinícius saciou, quando escreveu,
Dos versos o desejo dançarino.

sábado, 17 de abril de 2010

Soneto Do Amor Entre Mulheres















Permita-se este canto impertinente
De um poeta em estado de desvario,
Deslumbrado ao ver este duplo cio
Que no amor só entre moças há presente.

É este amor íntimo que elogio
Eu, que, sem conhecê-lo, julgo urgente
O pouso da mão impúbere e quente:
Onde é suposto um falo acha um vazio.

Tortura-me a completa ignorância
Do gosto que há num beijo feminino
Que eu sempre iria destruir na ânsia
De ali incluir minha barba, libertino.

Razão de eterna intriga é a substância
Do amor entre mulheres, pra um menino.

terça-feira, 30 de março de 2010

Os Maus Poetas

Juntem-se a eles, meus ditos malditos,
Sumam no meio desses maus-poetas
Que riem na rua em seus rudes ritos
Zombando em êxtase dos estetas.

Tornem-se discursos subjetivos,
Morram de excessos e falta de voz,
Nascam de novo, meus versos, sem crivo,
Como o rei dionísio de todos nós.

Entrem nas veias desses maus poetas,
E de seus poemas tornem-se ecos.
Semeiem sintáxes analfabetas.

Esqueçam a lâmina e os termos secos
Da minha triste linguagem dileta
E vão dançar samba pelos botecos.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

TRANSPARENTE- Quarta-feira de cinzas

De homens e mulheres, as vítimas da sua boca
Ela não guardou mais que um vulto indistinguível.
Deu-se inteira a Baco e o velhaco deu-lhe em troca
No fio de sua vida um centímetro invisível.

Se houve prazer ou se foi tédio e violência
O corpo não diz, não guarda tapas nem carícias.
Mais do que brancura, sua memória é transparência:
Baco, exausto, foi-se, sem pedir ou dar notícias.

Ela encara opaca um opaco azulejo
Enquanto se cobre com a água do chuveiro.
Força sua memória, que lhe é indiferente.

Por algum motivo lhe sumiu todo desejo,
Que ou foi satisfeito ou desgastou-se por inteiro.
Ela sai do banho, coberta de transparente.

domingo, 24 de janeiro de 2010

DA PRAÇA

Como após um banquete fica a taça,
Ela está sem mais nada, só vazia.
Só cimento ardendo no meio dia,
Ela, a quem demos o nome de praça.

Estranha de sí mesma quando ria
Ainda ontem na noite obesa e baça,
Quando em meio aos homens e a fumaça
Se esquecia que o dia a silencia.

A praça agora é coisa de concreto,
Não é praça, é o mais puro chão reto,
Desafiando o sol quente do verão.

Canta a sí pelo silêncio do coreto,
E destrói meus lirismos de soneto
Que evaporam quando caem no seu chão.